16 fevereiro 2007

||| O TAL S. VALENTIM

Foi o infame dia de um tal de São Valentim, onde não há casalinho que não faça eternas juras de paixão e amor, convenientemente ilustradas em cartões comprados à pressa numa bomba de gasolina e caixas de chocolates adquiridas no café ao lado do emprego.
Antes que os apaixonados se virem já contra mim, esclareço que não tenho nada contra as ditas juras... Desde que feitas noutro dia qualquer, sem cartõezinhos e montras cheias de coraçõezinhos (nesta altura, tudo é inho). Confesso que me faz confusão ver os parezinhos irem ao restaurante e ao cinema, tornando o dia «verdadeiramente especial». Resumindo, acho que a obrigação que está subjacente à data vai precisamente contra o que a data representa, mas adiante.
O que me traz aqui é limpar o nome do desgraçado do São Valentim. Perguntam vocês e com muita razão: O que bem fez São Valentim a Deus (e que mal lhe fizemos nós) para termos que aguentar com a febre dos coraçõezinhos uma vez por ano? Aí é que está! O homem não teve culpa nenhuma! Teve azar, eh eh, só isso! Correm várias versões sobre a vida e consequente santidade do Valentim, parecendo-me a mais credível a de ele ter sido um Romano convertido ao Cristianismo e executado pelos seus por não querer renunciar à sua fé. A versão mais mirabolante desta história mete uma paixão fulminante pela filha do carcereiro, a quem Valentim escreveria cartas de amor. Pois... as coisas que eu sei!!
Como é que Valentim se viu associado a esta euforia amorosa, então? Ora bem, na Idade Média, os Ingleses e Franceses, povos observadores mas com pouca visão a longo prazo, como se pode confirmar hoje, (Iraquis e Kwaitis) repararam que era nos meados de Fevereiro que os passarinhos começavam a “passarinhar”. E como metade de 28 é 14, saiu a rifa ao pobre Valentim de ver o seu dia escolhido para a troca de missivas amorosas sob o bom augúrio da “passarinhagem”. Vistas bem as coisas, o Valentim deveria ser o “Bissanto” Valentim, afinal de contas, foi mártir duas vezes...

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